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Guia prático para implementação dos 18 controles CIS

Guia prático dos 18 Controles CIS para proteger sua infraestrutura, com prioridades, passos de implementação e roteiro para organizações brasileiras.
Will Forenz 18/01/2026 (Last updated: 18/01/2026) 0 comments

Guia prático para implementação dos 18 controles CIS

Os 18 Controles CIS constituem um conjunto comprovado de práticas destinadas a proteger ativos, reduzir superfícies de ataque e orientar decisões operacionais. Este guia prático apresenta explicações claras, prioridades de adoção e passos concretos para implementar cada controle em sua infraestrutura, com enfoque na aplicabilidade para organizações brasileiras de diferentes portes.

  • Fundamentos e agrupamento dos 18 Controles CIS
  • Implementação prática: controle por controle com ações e prioridades
  • Governança, métricas e automação para manutenção contínua
  • Desafios, mitigação de riscos e roteiro de adoção para pequenas e médias empresas

Fundamentos e agrupamento dos 18 Controles CIS

Os Controles CIS (Center for Internet Security) reúnem práticas essenciais para fortalecer a segurança da informação. Na versão consolidada em 18 controles, cada item define um objetivo e um conjunto de subcontroles que detalham as ações recomendadas. Para facilitar a implementação, é útil agrupar os controles por propósito: identificação e defesa básica, proteção e durabilidade, detecção e resposta, e recuperação e governança.

Agrupamento por propósito

  • Identificação e controle: inclui identificação de ativos, mapeamento de software e gestão de riscos iniciais. Esses controles fornecem visibilidade imprescindível para qualquer programa de segurança.
  • Proteção e durabilidade: abrange configurações seguras, gestão de correções, controle de acessos e proteção de dados para reduzir vulnerabilidades exploráveis.
  • Detecção e resposta: concentra mecanismos de monitoramento, registro e capacidade de resposta a incidentes para interromper ataques e minimizar impactos.
  • Recuperação e governança: engloba backup, continuidade e avaliação de conformidade, assegurando retorno rápido às operações normais e melhoria contínua.

Prioridade e maturidade

A priorização deve considerar exposição, impacto e custo. Recomenda-se iniciar por controles que proporcionem maior redução de risco com menor esforço: inventário de ativos, gestão de vulnerabilidades, controles de acesso e proteção contra malware. Em seguida, implementar monitoramento contínuo, resposta a incidentes e proteção de dados sensíveis. A maturidade progride de medidas reativas para automação e integração avançada com operações de TI e segurança.

Benefícios do alinhamento com os Controles CIS

  • Redução mensurável da superfície de ataque.
  • Padronização de processos de segurança entre equipes.
  • Facilidade para demonstrar conformidade e boas práticas a auditores e parceiros.
  • Melhoria da capacidade de resposta e continuidade operacional.

Implementação prática: controle por controle com ações e prioridades

Apresenta-se, a seguir, um roteiro prático e detalhado para implementar cada um dos 18 Controles CIS. Para cada controle constam objetivos, ações recomendadas, indicadores e exemplos de ferramentas ou abordagens aplicáveis ao contexto brasileiro.

Controle 1 — Inventário e controle de ativos corporativos

Objetivo: manter um inventário completo, atualizado e confiável de todos os ativos de hardware conectados à rede.

  • Ações: adotar descoberta automática de rede; integrar inventário com sistemas de gestão de configuração; rotular ativos com identificadores únicos.
  • Indicadores: taxa de cobertura do inventário (% de ativos conhecidos); tempo médio para detectar novo dispositivo.
  • Boas práticas: incluir dispositivos móveis e IoT; reconciliar inventário físico e lógico periodicamente.

Controle 2 — Inventário e controle de software

Objetivo: conhecer e controlar todo software autorizado e não autorizado em uso.

  • Ações: usar ferramentas de inventário de software; manter whitelist de aplicações autorizadas; bloquear execução de software não aprovado.
  • Indicadores: percentual de aplicações autorizadas; incidentes por software desatualizado.

Controle 3 — Gerenciamento contínuo de vulnerabilidades

Objetivo: identificar, priorizar e corrigir vulnerabilidades em sistemas, aplicações e dispositivos.

  • Ações: realizar varreduras regulares; priorizar correções com base em criticidade e exposição; aplicar correções emergenciais para vulnerabilidades de alto risco.
  • Indicadores: tempo médio para correção; número de vulnerabilidades críticas abertas.
  • Observação: definir janela de atualização compatível com riscos do negócio.

Controle 4 — Uso controlado de privilégios administrativos

Objetivo: limitar e monitorar contas com privilégios elevados para reduzir risco de comprometimento.

  • Ações: aplicar princípio do menor privilégio; usar contas de serviço separadas; revisar direitos administrativos periodicamente.
  • Indicadores: número de contas administrativas ativas; auditorias de uso privilegiado.

Controle 5 — Configurações seguras para ativos

Objetivo: implementar e verificar configurações seguras em sistemas operacionais, roteadores e aplicações.

  • Ações: definir padrões de configuração; automatizar aplicação de configurações; monitorar desvios.
  • Ferramentas: sistemas de gestão de configuração e verificação de conformidade.

Controle 6 — Manutenção, monitoramento e análise de registros de auditoria

Objetivo: centralizar e analisar logs para detectar ações maliciosas e incidentes.

  • Ações: encaminhar logs críticos para solução central (SIEM); definir retenção e proteção dos registros; analisar alertas relevantes.
  • Indicadores: tempo médio de detecção; cobertura de logs por sistema crítico.

Controle 7 — Proteção contra malware

Objetivo: prevenir, detectar e mitigar software malicioso em todos os endpoints e servidores.

  • Ações: implantar soluções antimalware atualizadas; aplicar controles de execução; treinar usuários quanto a arquivos e anexos suspeitos.
  • Indicadores: taxa de detecção de malware; incidentes relacionados a phishing.

Controle 8 — Limitação e controle de portas, protocolos e serviços

Objetivo: reduzir a superfície de ataque restringindo serviços desnecessários e controlando tráfego de rede.

  • Ações: bloquear portas e serviços não utilizados; aplicar regras de firewall por princípio de mínimo acesso; usar segmentação de rede.
  • Indicadores: número de serviços desnecessários desativados; violações de regras de segmentação.

Controle 9 — Proteção de dispositivos e armazenamento móvel

Objetivo: gerenciar riscos de dispositivos móveis e armazenamento removível.

  • Ações: adotar gestão de dispositivos móveis (MDM); criptografar armazenamento; restringir uso de mídias removíveis.
  • Indicadores: percentagem de dispositivos com MDM ativo; incidentes por mídia removível.

Controle 10 — Capacidade de recuperação de dados

Objetivo: assegurar backups confiáveis e planos de recuperação para minimizar impacto de perda de dados.

  • Ações: implementar políticas de backup, testar restaurações regularmente, separar backups da rede principal e criptografá-los.
  • Indicadores: frequência de testes de restauração; tempo objetivo de recuperação (RTO) cumprido.

Controle 11 — Proteção de rede e monitoramento

Objetivo: detectar movimentos laterais e tráfego malicioso por meio de monitoramento de rede e controles perimetrais.

  • Ações: implantar sensores de tráfego; segmentar redes críticas; usar listas de bloqueio e controles de perímetro alinhados ao risco.
  • Indicadores: alertas de anomalia por 24 horas; interrupções de tráfego malicioso.

Controle 12 — Segurança de perímetro e proteção de borda

Objetivo: proteger acessos externos e pontos de conexão com a internet.

  • Ações: configurar corretamente firewalls, proxies e gateways de e-mail; aplicar proteção DDoS quando necessário.
  • Indicadores: incidentes originados por acessos externos; bloqueios efetuados por perímetro.

Controle 13 — Adoção de práticas seguras em aplicações

Objetivo: reduzir vulnerabilidades em aplicações desde o desenvolvimento até a produção.

  • Ações: integrar análise estática e dinâmica de código; aplicar revisões de segurança em arquitetura; adotar princípios de desenvolvimento seguro.
  • Indicadores: número de vulnerabilidades encontradas em ciclo de desenvolvimento; tempo para corrigir falhas em aplicação.

Controle 14 — Proteção de dados em trânsito e em repouso

Objetivo: garantir confidencialidade e integridade dos dados sensíveis, seja armazenado ou transmitido.

  • Ações: criptografar dados sensíveis; utilizar TLS para comunicações; gerenciar chaves criptográficas com políticas seguras.
  • Indicadores: percentagem de dados sensíveis criptografados; incidentes por vazamento de dados.

Controle 15 — Implementação de autenticação multifator

Objetivo: reduzir risco de comprometimento por credenciais fracas ou vazadas.

  • Ações: exigir multifator em acessos privilegiados e voltados para externo; usar métodos robustos certificados e tokens; evitar SMS como único fator quando possível.
  • Indicadores: percentagem de contas com MFA habilitado; tentativas de acesso bloqueadas por segundo fator.

Controle 16 — Defesa contra ataques de engenharia social

Objetivo: reduzir sucesso de ataques que exploram pessoas, como phishing e pretexting.

  • Ações: promover treinamentos regulares com simulações; estabelecer processos claros para verificação de solicitações sensíveis; comunicar lições aprendidas após incidentes.
  • Indicadores: taxa de cliques em simulações; número de incidentes reportados por colaboradores.

Controle 17 — Monitoramento e resposta a incidentes

Objetivo: estruturar processos e capacidades para detectar, analisar e responder a incidentes de segurança.

  • Ações: documentar plano de resposta; treinar equipe de resposta; executar exercícios de mesa e simulações; integrar resposta com fornecedores e equipe jurídica quando necessário.
  • Indicadores: tempo de contenção; tempo de recuperação; nível de conformidade com planos e procedimentos.

Controle 18 — Testes de segurança contínuos

Objetivo: realizar avaliações e testes regulares para validar controles, identificar fraquezas e medir eficácia.

  • Ações: efetuar testes de penetração periódicos, avaliações de código, varreduras de vulnerabilidades e auditorias independentes; priorizar correções com base no risco.
  • Indicadores: número de falhas descobertas em testes; tempo para mitigar achados críticos.

Governança, métricas e automação para manutenção contínua

A implementação técnica só se sustenta com governança sólida, métricas relevantes e automação inteligente. Esta seção apresenta como estruturar políticas, indicadores e processos de automação para transformar os controles em prática operacional contínua.

Estrutura de governança

  • Definição de papéis e responsabilidades: estabelecer proprietário dos controles, responsáveis operacionais e comitê de segurança.
  • Políticas e normas: redigir políticas claras para gestão de ativos, senha, backups, acesso remoto e aceitação de risco.
  • Processo de revisão: agendar revisões periódicas, alinhadas a auditorias internas e externas.

Métricas e indicadores chave

Selecionar KPIs que reflitam redução de risco, eficiência operacional e conformidade:

  • Tempo médio para detecção (MTTD) e tempo médio para recuperação (MTTR).
  • Percentual de ativos controlados, percentagem de patches aplicados dentro de SLAs, e cobertura de MFA.
  • Taxa de falsos positivos dos mecanismos de detecção, para ajustar regras e reduzir ruído.

Automação e integração

A automação reduz erro humano e acelera resposta. Priorize:

  • Integração entre inventário, gestão de patches e ticketing para automatizar correções.
  • Correlações automáticas de eventos via SIEM para priorização de alertas.
  • Playbooks de resposta e orquestração (SOAR) para ações repetitivas, como isolamento de host infectado.

Gestão de risco e priorização baseada em valor

Para maximizar retorno, aplique matriz de risco que combine probabilidade de exploração e impacto operacional. Direcione investimentos para controles que mitigam riscos de maior severidade e que viabilizam retomada rápida das operações críticas.

Treinamento e cultura

Segurança eficaz exige colaboração entre TI, negócio e colaboradores. Realize treinamentos contínuos, inclua métricas de conscientização e promova canais simples para reporte de incidentes e dúvidas.

Desafios, mitigação de riscos e roteiro de adoção para pequenas e médias empresas

Pequenas e médias empresas enfrentam desafios de recursos e competências. Abaixo está um roteiro pragmático para adoção gradual, com foco em maximizar proteção com orçamento limitado.

Barreiras comuns

  • Recursos financeiros restritos para ferramentas e consultoria especializada.
  • Escassez de profissionais qualificados em segurança.
  • Prioridade concorrente entre demandas de negócio e iniciativas de segurança.

Roteiro de adoção em fases

  1. Fase 1 — Visibilidade e proteção essencial: implantar inventário de ativos e software (Controles 1 e 2), proteção anti-malware (7), e configurar backups básicos (10).
  2. Fase 2 — Base de defesa e correções: aplicar gerenciamento de vulnerabilidades (3), configuração segura de ativos (5) e autenticação multifator (15) para acessos críticos.
  3. Fase 3 — Detecção e resposta: centralizar logs (6), estabelecer monitoramento de rede (11) e implementar plano de resposta a incidentes (17).
  4. Fase 4 — Maturidade e testes: realizar testes de segurança contínuos (18), proteção de dados (14) e auditorias regulares.

Estratégias de mitigação com baixo custo

  • Adoção de soluções gerenciadas (MSSP) para monitoramento e resposta, evitando contratação imediata de equipe própria.
  • Uso de ferramentas gratuitas ou de baixo custo para inventário e varredura inicial, combinadas com processos manuais até que seja possível automatizar.
  • Parcerias com associações setoriais para capacitação e compartilhamento de boas práticas.

Contratação de fornecedores e due diligence

Ao terceirizar serviços de segurança, avaliar cuidadosamente histórico, certificações e SLAs. Incluir cláusulas contratuais sobre gestão de incidentes, confidencialidade e transferência de conhecimento.

Exemplo prático de plano de 12 meses

  • Meses 1–3: inventário, políticas básicas e MFA para administradores.
  • Meses 4–6: gestão de vulnerabilidades e aplicação de correções críticas.
  • Meses 7–9: implementação de backup robusto e início de centralização de logs.
  • Meses 10–12: testes de penetração, treinamento de pessoal e revisão de governança.

Ao longo do processo, mensurar ganhos e ajustar prioridades conforme evolução do risco e capacidade financeira.

Conclusão

Os 18 Controles CIS oferecem um roteiro estruturado e comprovado para fortalecer qualquer infraestrutura. A adoção deve ser priorizada por impacto e viabilidade, combinando visibilidade, proteção, detecção e resiliência. Com governança adequada, automação e capacitação contínua, é possível alcançar níveis significativos de segurança e reduzir riscos operacionais de forma sustentável.

  • Pergunta: O que são os Controles CIS e por que adotá-los?
    Resposta: Os Controles CIS são um conjunto de práticas recomendas pelo Center for Internet Security para proteger ativos e reduzir riscos cibernéticos. Adotá-los padroniza processos, melhora visibilidade e reduz a probabilidade e o impacto de incidentes.
  • Pergunta: Por onde começar a implementação em uma empresa pequena?
    Resposta: Inicie com inventário de ativos e software, proteção antimalware, autenticação multifator para acessos críticos e backups confiáveis. Essas medidas entregam proteção rápida com custo moderado.
  • Pergunta: Como priorizar correções de vulnerabilidades?
    Resposta: Priorize com base em criticidade da vulnerabilidade, exposição do ativo e impacto ao negócio. Utilize pontuação de risco (por exemplo, CVSS) como insumo, mas complemente com contexto operacional.
  • Pergunta: É obrigatório usar ferramentas pagas para cumprir os controles?
    Resposta: Não é obrigatório; muitas ações podem iniciar com ferramentas gratuitas e controles manuais. No entanto, a automação e ferramentas pagas aumentam eficiência e abrangência, especialmente em ambientes maiores.
  • Pergunta: Com que frequência os controles devem ser revisados?

    Resposta: Recomenda-se revisão formal anual e ajustes contínuos conforme mudanças no ambiente, ameaças emergentes ou após incidentes. Revisões pontuais devem ocorrer sempre que houver alterações significativas na infraestrutura.

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